o melhor peixe cru da nossa vida

Há, no coração da Avenida Paulista, uma galeria que esconde três dos melhores restaurantes japoneses de São Paulo. Trata-se da Galeria Ouro Branco (Rua Manoel da Nóbrega, 76 – com outro acesso pela Brigadeiro Luis Antonio, na altura da Paulista).

Historicamente, Yakitori Mizusaka, Sushi Guen e Hisa eram as opções dos esfomeados entusiastas da culinária nipônica. Frequentava o primeiro, o mais – melhor dizendo, o único – barato dos três, quando trabalhava na região. Os espetos de peixe são a especialidade do local, sempre servidos na forma de teishoku (como diz meu amigo Zé, o “comercial japa”), com entrada, gohan, nabo, salada, conserva, sashimi (no almoço) ou bolinhos quentes (croquete, guioza ou shomai, no jantar). Procuro o do meio sempre que bate a vontade do excelente tirashi, tigela com diversos sashimis servidos em cima de uma porção de shari (arroz), do chef Mitsuaki Shimizu.

O último, que fazia ótimos teishokus tradicionais, fechou em 2013 e deu lugar ao Kan Suke, do renomado sushiman Egashira Keisuke. E a fama condiz com a realidade.

Ensaiávamos uma visita há alguns meses, mas o preço nos fez repensar várias vezes e, quando finalmente resolvemos ir, a falta de reserva nos fez adiar por uma semana o melhor almoço oriental que jamais tivemos.

Já que, enfim, estava lá, chutei o balde e pedi o menu degustação individual, com catorze porções cruas. A Fernanda, mais comedida, experimentou este belo tirashi, feito com um shari delicioso temperado com vinagre preto e gengibre:

tirashi
Acompanha um caldo de vôngole caprichado:
vongole
Voltemos ao meu menu. Nunca experimentei sashimis tão saborosos e tão bem cortados. Os de toro (atum gordo) eram verdadeiras lascas:
sashimi toro
Quem gosta de ouriço, ovas e temperos com gema crua se esbalda com as peças especiais. Esta garopa com ouriço e alga estava sensacional:
alga ouriço
O polvo é delicioso. Uns dias antes, quando fiz a reserva, vi o bicho inteiro no balcão. No dia do almoço, me deparei só com algumas partes, acompanhadas de uma gelatina de polvo com caldo de peixe:
polvo
O prato que menos curti foi o olho-de-boi, tanto na versão sashimi:
olho de boi sash
…como na versão sushi:
olho de boi sushi
Ainda no campo dos sushis, todos com arroz do mesmo aspecto que o do tirashi, tínhamos o de pargo marinado:
pargo marinado
De atum semi-gordo:
atum semigordo
De toro batido:
batido sushi
E, meu favorito, de camarão:
camarão
Dos mais rebuscados, gostei especialmente do toro batido com nabo e gema crua:
batidinho
Mas as ovas de salmão, também com gema, merecem menção honrosa:
ovas
E o ouriço fecha a lista tríplice do que chamei de pratos especiais:
ouriço
A brincadeira não saiu barata (R$230 o menu, R$45 o tirashi), contudo poucas vezes ficar mais pobre valeu tanto a pena.

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Publicado por

Lucas Verzola

Lucas Verzola, paulistano de 1988, é autor de São Paulo Depois de Horas (Editora Patuá, 2014), finalista do Prêmio Sesc de Literatura 2013/2014. Tem uma graduação concluída em Direito e outra interrompida em História, ambas pela USP. Editou e colaborou com as revistas Carcará e Fênix e teve contos e poemas publicados nas revistas Originais Reprovados, mallarmargens e POA2502. Sua peça Vésperas está em processo de montagem pelo grupo Matita Perê. Profissionalmente, foi repórter, redator e editor-assistente no Grupo Folha (Folha de S.Paulo e Publifolha) e, atualmente, ocupa cargo efetivo no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

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