foi bonita a festa, pá!

Nós temos uma turma. Se tivéssemos algum talento pra cometer crimes, seríamos uma gangue. Se fôssemos equilibristas, seríamos uma trupe. Mas não, somos uma turma, unidos pelo gosto pela boa comida e boa bebida.

O fato de termos uma turma não quer dizer que não amemos tanto nossos outros amigos, mas só que temos alguns amigos que topam qualquer coisa a qualquer hora (menos o Zé, que faz parte da turma, mas insistimos em encontrá-lo por amor incondicional mesmo, ainda que tenhamos que marcar com dias e dias de antecedência qualquer coisa com ele).

Então, a nossa turma é assim: não perdemos oportunidade de comemorar nada, nem que seja alguma desgraça tragicômica que tenha acontecido com algum de nós. E assim, por todos esses anos, colecionamos algumas tradições (ou manias) e uma delas é a comemoração da Revolução dos Cravos.

Nossa turma tem dois portugueses. Todos os membros amam bacalhau e vinho do porto. Apoiamos revoluções e odiamos qualquer forma de autoritarismo, de modo que a Revolução dos Cravos foi a nossa primeira eleita para ser devidamente brindada, há dois anos.

A tradição é a seguinte: o restaurante é eleito com meses de antecedência, os cravos são comprados no dia (um para cada, mais 3 de sobra – um para a cantora de fado, outro para o dono do restaurante e um, digamos assim, bônus, que é distribuído para alguém ao longo da noite por algum motivo especial). No dia, o ideal é que os estômagos sejam poupados nas refeições anteriores para que estejamos com uma fome pantagruélica no jantar.

Este ano, repetimos a dose. Reservamos a mesa no nosso restaurante português favorito em dia de fado, compramos as flores, separamos a garrafa de vinho do porto e ensaiamos alguns fados, além de ouvir repetidas vezes “Tanto Mar”, do Chico.

Depois de nos entupirmos com alheiras, vinho branco e bacalhau, a luz diminuiu e surgiram duas portuguesas sexagenárias, cantoras de fado de altíssima qualidade.Oferecemos os cravos e elas se emocionaram. Uma, inclusive, anunciou ao restaurante inteiro que no dia seguinte era uma data muito importante e começou a cantar a Grândola (o hino da Revolução). Batemos palmas, realizados, e quase beijamos os pés dela.

Superamos, assim, um dos nossos maiores traumas: na primeira celebração, o cantor – um brasileiro que parecia o Dudu Nobre e forçava o sotaque português de maneira caricatural – confundiu nosso cravo com uma rosa e ainda desdenhou dizendo “se eu, ao menos, fosse um cantor de tango!”.

É, no cravos for you, baby. Foi bonita a festa, pá!

Que venha o 14 de julho! O 9 de novembro!

Viva a revolução!

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